domingo, 4 de julho de 2010

Feche os olhos de saudade


È quem diria, quando eu era bebe talvez fosse mais fácil. Afinal, o que há de difícil em se aconchegar em um colo que te ama, e inconscientemente começar com a terrível tortura de um choro compulsivo, esperando pela canção e os delicados balanços dos braços de quem o carrega lentamente dando voltas pela sala, esperando ansioso para o finalmente de um bebe tranqüilo e adormecido. Os tempos mudam não ? Agora sente-se a ausência de suas lagrimas sem razão, a ausência do colo de quem se ama, e da canção que lhe consolava. Confesso que virar na cama compulsivamente nunca foi meu passa tempo predileto, apesar de ser praticado fielmente todas as noites. E que noites...Ficar com os olhos atentos como dois grandes vigias se assegurando que nada o matasse com uma delicada lamina em suas costas. Vendo vultos claros passarem sobre mim, como se rissem do meu medo sem razão. Como se o sentissem meu medo de longe. Como se sondassem da minha covardia, da minha prepotência sobre mim mesma, sobre o que via. Terríveis ilusões são aquelas provocadas pelo escuro. Amigo cruelmente mentiroso, mas ao mesmo tempo o mais fiel deles. Quem dera que todo amigo fosse como o escuro, bastasse fechar os olhos, e ele sempre estará contigo. Quantos mistérios pode conter ? A paisagem mais inacreditavelmente incrédula do que ele ? Maravilhosa. Mas tem seu porem, olhe para o escuro e deixa sua mente livre para ver o que quiser, criar seu próprio mundo de sua maneira, se não estiver ocupado demais com seu medo, sua solidão, lhe fazendo ver nele, o que não se quer ver. E como se o mundo houvesse escolhido um tempo e decidir nele se calar em pleno sono, enquanto parece você a única pessoa acordada na face da terra. Não a sentimento pior de deslocamento e abandono. E você vaga pelos seus pensamentos confusos e aleatórios. Aqueles sobre nada e sobre tudo, vazios e ao mesmo tempo extremamente complexos.



Como uma teia de aranha, cada um puxa um e assim sucessivamente, infinitos assuntos no mundo, pessoas, palavras, o desconhecido, espera sua vez. E quando você finalmente se encanta por essa beleza solitária, ela se despede com o amanhecer. Mas nunca se sente sozinho, pois quando o sol se põe, tudo recomeça. E você então percebe que agora estão ligados. Você agora é esse escuro, faz parte dele. Eu sou o escuro que me intimida, o que não entendo, perfeita definição de mim. Alguém só. E quando tudo parece lhe abandonar, sopra-se uma doce brisa em seu ouvido, lhe dizendo – Saudades de mim ? Não chore, chorar não me leva junto a ti. Feche os olhos de saudade. Então recupero novamente o fôlego, como se houvesse sido afogada e agora me reacostumando com o ar em meu ser, e digo com o mais simples dos sorrisos, e a mais profunda felicidade que toma meu coração. – Olá escuro, ainda com os olhos fechados de saudade.






Alessandra Froes

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